Seguranças de ensaio do Harmonia são mortos e têm corpos queimados antes de show

09 fevereiro 2017

Seguranças de ensaio do Harmonia são mortos e têm corpos queimados antes de show



Geraldo, de blusa azul, foi uma das vítimas
(Foto: Alexandro Mota/CORREIO)
Três seguranças foram mortos no final da tarde do último dia (6) no estacionamento do Estádio de Pituaçu, onde estava marcado para acontecer hoje o ensaio da banda Harmonia do Samba, no evento a Melhor Segunda-Feira do Mundo. Eles eram trabalhadores terceirizados e prestavam serviço fazendo a segurança do evento. 

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Geraldo Mota Cunha e Derivaldo Rocha dos Santos, 34 anos, foram baleados e depois tiveram os corpos queimados pelos atiradores, morrendo no local. Márcio Rogério Bandeira foi socorrido por uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu a caminho do hospital.

Ambulantes faziam o descarregamento de bebidas no local no momento em que os bandidos executaram os homens. Dois homens com fardas do Exército e rostos pintados de verde estavam no local, segundo testemunhas - eles chegaram a afirmaram serem soldados, de acordo com uma comerciante de bebidas. Eles foram os responsáveis por atirar contra os seguranças. 

A ambulante Dora Martins estava descansando em um colchão no local, aguardando o início da movimentação do evento, quando o crime aconteceu. Antes, ela relata que dois dos seguranças mortos, conhecidos dela por conta da festa, teriam chegado e pedido licença para sentar nas cadeiras. Assim que eles sentaram, começou a confusão. "Só ouvi os tiros", conta. Ela diz que sentiu o cheiro da gasolina jogada nos corpos e logo depois atearam fogo. "Um deles caiu em cima do meu colchão, não consegui abrir os olhos de tão assustada que fiquei", relatou ao CORREIO. 

Outro ambulante, Evandro Santos Santana, estimou em R$800 o prejuízo que teve hoje - o fogo atingiu seu isopor e destruiu parte de suas mercadorias. "Perdi muitas bebidas. Não teve a festa, ficamos no prejuízo". 

Local do crime ficou às escuras durante perícia (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)

Crime de vingança:
Segundo o delegado José Bezerra, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), os três seguranças haviam acabado de chegar pela passarela para trabalhar no evento quando aconteceu o crime - os suspeitos já estavam no local. "Teve um veículo para fuga deles, um veículo Gol", explica o delegado. "Tem uma situação que colocaram fogo em dois deles. Mas a gente vai apurar ainda a motivação", acrescenta. 

A perícia no local foi detalhada e só terminou quase quatro horas após as mortes para determinar exatamente como os três foram mortos e que substância foi usada para atear fogo nos corpos. A delegada Marilene Lima, também do DHPP, que fez o levantamento das circunstâncias do crime no local, evitou dar detalhes. "A gente precisa ainda conversar com os familiares e aprofundar o que ocorreu", afirmou. O trabalho da perícia aconteceu às escuras, isso por causa de tiros que atingiram um equipamento da rede elétrica deixando as imediações de Pituaçu sem luz. Segundo testemunhas, os bandidos atiraram em um transformador na saída do estacionamento. A Coelba informou que o chamado foi às 17h08 e às 17h51 mais de 90% das casas atingidas já estavam com energia normalizada. A situação foi inteiramente normalizada às 19h34.


De acordo com as primeiras informações, os seguranças foram vítimas de um crime de vingança. O crime teria relação com a agressão de um homem durante o ensaio da semana passada - essa possibilidade ainda será investigada e não está confirmada. Pessoas que trabalham na festa relataram que na segunda-feira anterior (30) no mesmo evento houve um "bate-boca" com alguns segurança, entre eles os mortos. Fontes policiais informaram ao CORREIO que a vítima da agressão, que morreu dias depois, era um traficante conhecido como Bolsa, da localidade do Boqueirão. Comparsas teriam se reunido para vingar a morte. 

Familiares de Derivaldo estiveram no local e preferiram não falar com a imprensa, temendo represálias relataram apenas serem moradores de um bairro violento. Mestre Roberto Ferreira, que era o mestre de capoeira do segurança Geraldo, lamentou a morte do amigo, que deixa duas filhas - a caçula de apenas 2 anos. "Era gente boa, trabalhador. Ele sempre trabalhava nessa festa", disse ao CORREIO, afirmando que Geraldo era muito querido no Cabula, onde morava. "Ontem ele estava com o pessoal da academia, em uma roda de capoeira, tudo normal", lamenta. Ele afirma desconhecer qualquer confusão que Geraldo tenha se envolvido durante a festa e não sabia de nenhuma ameaça contra ele. 

Após o crime, a assessoria do Harmonia do Samba informou que o ensaio foi cancelado. Esse era o quinto show da temporada deste ano do evento, um dos mais populares do calendário de verão de Salvador. 

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